Uma análise sobre a construção de Map of The Soul: 7




O sétimo álbum, para o sétimo ano de carreira do grupo de sete membros. Map Of The Soul: 7 é feito de uma junção de simbolismos e significa muito mais do que apenas o número da sorte do BTS.


Desde o anúncio do álbum, da turnê e dos aspectos promocionais, era possível ver o envolvimento e a intenção do grupo com a coisa que já foi dita ser a mais importante para eles: arte e tudo que gira em torno dela, em todas as suas possíveis representações, e o impacto que possui. Com isso, mesmo antes de ouvir o álbum já se podia imaginar a importância que ele teria na carreira do grupo.


O lançamento do ‘Connect, BTS’ foi o pontapé inicial para mostrar um dos conceitos que seriam tratados na era — a arte, e artistas. ‘Connect, BTS’ reuniu 22 artistas das mais variadas áreas e custeou o trabalho de cada um por diversas galerias e exposições no mundo, apresentando desde o projeto de artes plásticas New York Clearing, uma estrutura de ferro de 18km idealizada por Antony Gormley, até uma performance brasileira na exposição Rituals Of Care, que contava com um grupo de candomblé em uma denuncia a intolerância a minorias e à arte.


“Como meu hobby favorito tem sido visitar galerias de arte, sempre me dá uma outra noção de emoção, choque e inspiração. Eu espero que mais pessoas possam acreditar no poder da arte, em como ela pode ajudar e mudar o mundo."
KIM NAMJOON, em live.

Em Map Of The Soul: 7 tivemos a continuação da duologia que fala sobre o Mapa da Alma, teoria da psicologia junguiana que trata, entre outros, dos conceitos de Persona, Sombra e Ego. E aqui começa uma jornada íntima do BTS consigo mesmo, onde tratam com honestidade e transparência seus medos, desejos e crenças formadas durante os sete anos de carreira.


Começamos o álbum com Intro: Persona e outras músicas do EP anterior, Map Of The Soul: Persona. Com samples de músicas antigas e batidas e letras pop, BTS mostra, ali, a Persona artista, que convida ARMYs e outros a se apaixonarem pelos charmes únicos de cada membro. Boy With Luv se conecta com a batida simples e melodia viciante de Make It Right, que flui de forma suave com os vocais e rap doces de Jamais Vu e termina afirmando sua autenticidade e que, independente de rótulos, estão sempre bêbados em sua própria arte (e podem facilmente nos embebedar também!) com Dionysus.


E é na segunda parte do álbum, começando em Interlude: Shadow, que nos encontramos com o BTS muito mais do que artistas, mas pessoas que respiram, vivem e dependem do que produzem, e que têm a música não só como trabalho, mas toda sua vida.


No solo de SUGA, vemos sua preocupação com o peso que a fama trouxe e como, independente de quantos holofotes estejam acesos, estar no topo pode ser extremamente assustador. Estas preocupações se emendam com Black Swan, uma das músicas mais sinceras, impactantes e artísticas do BTS.


Black Swan mostra através do seu Art Film, protagonizado pela Companhia de Dança MN, o medo de todos que possuem uma paixão: perdê-la, por qualquer que seja o motivo. E BTS, através da letra, expressa o medo de estar perdendo sua paixão pela música, entrando em espirais de bloqueios criativos, dúvidas pessoais e pressão externa. Através de suas performances, o extasiam pela coreografia e vocais — em um destaque especial para as lindas performances freestyle de Jimin, a quem o estilo contemporâneo de dança emocionou o fandom durante os shows ao vivo de ON:E. Seja na versão do vídeo, onde a música é apresentada com um arranjo orquestral, ou na de estúdio, com batidas de trap, a música se tornou, irrefutavelmente, um dos maiores marcos na discografia do grupo.


Os seguintes solos de cada um dos outros membros expressam um sentimento único e individual. Em Filter desfrutamos da confiança de Jimin, que, para quem acompanhou o grupo, traz extrema felicidade em ver o conforto que agora o membro possui em si mesmo. Ao contrário de My Time, que acompanhado de vocais R&B melódicos, entrega na letra as dúvidas de Jungkook em relação ao modo e velocidade em que cresceu, tendo seu tempo corrido de forma diferente devido a fama. Moon reconforta e demonstra a relação sincera entre Jin e os ARMYs, com um vocal pop digno do nosso Worldwide. Inner Child é a resposta de V para si mesmo que seu esforço valeu a pena e que, apesar dos medos do seu eu mais novo, tudo ficará bem, confortando junto todos que sentem o mesmo.


Entre os solos, temos músicas em grupo e as duas últimas units do álbum, que trazem, cada, uma nova mensagem, completando o sentido do álbum.


Nas units temos histórias que demonstram um pouquinho mais a fundo a amizade cultivada entre os membros. Friends sendo uma homenagem especial da relação de soulmate entre Jimin e V, que compartilham pedacinhos do que viveram juntos como amigos e de seu crescimento durante os anos. Já Respect demonstra a percepção e opinião compartilhada entre RM e SUGA sobre o que realmente significa respeitar alguém, em uma faixa old school animada e divertida, mas que te faz pensar: quem realmente merece nosso respeito e admiração? Trago aqui a lembrança de uma entrevista dada no Festa 2020 em que SUGA afirma que RM é seu “respect”, mostrando a amizade profunda entre os dois.


Em meio às faixas de grupo temos a title do álbum, ON. O MV mais visualizado em 24h até seu lançamento, a música que alcançou o #3 no chart Hot100 da Billboard, um feito inédito até então, e um marco para o fandom. Com uma performance de cair o queixo, BTS mostrou mais uma vez serem artistas completos, juntando a letra contagiante e forte, vocais e raps incomparáveis (quem não se arrepiou com a linda ponte cantada por Jungkook?) e uma das coreografias mais difíceis já feitas pelo grupo. Cada uma das apresentações dessa música criou um frenesi gigante no ARMY e foram os assuntos mais comentados do dia.


Louder than bombs é uma daquelas faixas do BTS que te lembram o quão grandiosos eles são. A letra (que teve participação de Troye Sivan, outro artista mais do que talentoso) traz profundidade em um tema já tratado anteriormente pelo grupo: o medo de que, nesse vasto oceano de incertezas, eles sejam engolidos pelas ondas. We are Bulletproof: the Eternal se liga ao contexto anterior e vem em forma de agradecimento ao ARMY por, em meio a todos os desertos e oceanos enfrentados, não soltarem a mão dos sete. Em contrapartida ao sentimento de gratidão, temos a indignação que vem junto do rap voraz de UGH! contra a raiva infundada de pessoas online, que escondem o veneno de suas palavras atrás da proteção da tela, sem se preocupar com as consequências de suas ações sem fundamento. Por fim, Zero O’clock, o conforto final do BTS e a segurança de que, em dias em que existir é a mais cansativa das coisas, o ápice da noite e a virada de um novo dia trazem consigo a esperança de um amanhã melhor. E no fim de tudo, no último solo, temos Outro: Ego. Durante todo o álbum, vimos as preocupações e a história de cada um e do grupo como um todo serem jorradas em forma de arte, com suas próprias interpretações do conceito de “Sombra”, o que nos faz entender junto deles como encontrar, através desse mapa de música dado por eles, nossas próprias sombras. E J-hope nos dá a resposta final para tudo isso: independente de tudo, esse sou eu. Esse é o meu ego, minha verdadeira pessoa.


As preocupações de 7 anos finalmente saem pela minha boca

Todas as opressões são resolvidas

Dentro do meu coração estão as respostas vindas daqueles que eu mais confio

Uma e única esperança, uma e única alma

Um e único sorriso, um e único você

A resposta que se torna clara, para a verdade desse mundo,

é um ‘eu’ que não irá mudar.”


Finalizo agradecendo o BTS por mais essa oportunidade de refletir sobre mim mesma através de sua arte e por, graças as suas palavras, chegar a minha própria conclusão de Persona, Sombra e Ego e como eu, como indivíduo, contaria minha história através de cada uma. Agradeço também pela sinceridade e por permitirem que eu e milhares de outras pessoas conhecessem um pouco do mapa da alma de cada um de forma tão linda e única. A arte que é a paixão dos 7 se tornando o conforto de milhões.



Escrito por: Mary

Revisado por: Polyana

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