Um pouco sobre a WeFight


"(...) Quando a gente tava perdendo no MAMA, o boicote que a gente levou, eu sempre lembrava dessa música quando o Namjoon fala que haverá um dia em que nós vamos perder, mas não será hoje, hoje nós lutamos, e eu levo isso comigo até agora. Foi assim que a WF nasceu, foi muito sem querer."


Atualmente a WE FIGHT é uma das maiores fanbases dedicada a stream e votações para o BTS no Brasil. Mas como foi o seu início? Por incrível que pareça a WF não foi programada, e hoje conversamos com Carolina, sua criadora, e algumas ADMs do projeto para descobrir tudo sobre a página que agora é referência para uma legião de fãs do grupo.


A jornada de Carolina como ARMY começou em meados de 2017, por influência de uma antiga amiga, no Facebook. Lá ela contou não ter auxílio de alguém ou de uma fanbase que a guiasse nesse mundo totalmente novo, o que a fez migrar para o Twitter meses depois, onde acreditava poder se inteirar melhor sobre tudo.


Por coincidência, quando chegou na nova rede social, estava ocorrendo uma pré votação para o MAMA, uma das maiores premiações da Coreia do Sul, e os meninos estavam em segundo lugar com uma diferença de um milhão de votos. "Eu falei que aquilo era uma absurdo, havia muitas outras ARMYs votando, o fandom era muito insano em votações…"


Após buscar informações sobre a votação, descobriu que pelo site da Mwave só se podia votar uma vez por conta, por dia. "Daí eu disse, cara, eu vou criar mais contas então, porque eu quero ajudar, quero que os meninos ganhem. Eu tinha aquela sensação de querer retribuir um pouco o amor que os meninos tinham por mim."


Felizmente, com o esforço dos ARMYs, o BTS venceu nas categorias que havia sido indicado e a partir daí, Carolina, decidida em continuar ajudando os meninos, começou a criar contas atrás de contas para a votação. "Eu senti aquele prazer que a gente sente quando a gente contribui para algo que deixa os meninos felizes. Cara que sentimento bom. E aquilo é quase viciante por que você quer fazer aquilo de novo e retribuir um pouco do quão bem eles te fazem..."


Com a ajuda de uma conhecida, juntou uma equipe de ARMYs que se disponibilizaram para contribuir e criou uma conta no twitter para que pudessem "trabalhar". Depois começou a ir de post em post, procurando ARMYs votando ou querendo contas para votar, e divulgava sua ideia. "Eu incomodava todo mundo, qualquer ARMY que eu via pela frente, eu falava tipo, eu tenho contas, eu tenho contas!"


Mas não era só a Carolina que ia atrás de todo mundo, não. A ideia no fim das contas deu certo porque muitos ARMYs estavam procurando contas para votar também. Inclusive foi assim que uma das ADM’s mais antigas da fanbase, Maria, entrou para a equipe.


"Eu entrei por causa do desespero no MAMA, estava uma loucura para criar contas e votar. Eu achei a Carrie doando contas no Twitter e pedi, ela entrou em contato comigo, me passou algumas contas e depois de um tempo perguntou se eu queria participar de um grupo de votações. No começo a gente criava, votava e disponibilizava contas pro pessoal, depois de um tempo a "WF: a coisa" nasceu."


Naquela época, era muito comum ARMYs darem contas umas para as outras para votar, mas Carolina percebeu que essa estratégia não estava dando certo. "(...) isso estava dando errado porque as armys davam as contas, mas elas não tinham certeza se a pessoa tava usando mesmo, e elas perdiam essas contas."


Depois de pensar bastante, ela e sua equipe criaram uma sistema de "empréstimos de contas" onde eles criavam contas no Twitter, Facebook, Instagram, Tumblr, Gmail e Naver, (uma plataforma de pesquisa coreana), colocavam os logins e senhas em um documento do Google e, quando chegava época de votação, selecionavam ARMYs que sabiam que iriam votar no BTS para usá-las.


O objetivo era entrar no documento, pegar uma conta para votar e pintá-la de vermelho, para que ninguém se confundisse e todas as contas fossem usadas corretamente. Ao fim do dia, o documento era "reiniciado" e o processo de pegar as contas e pintar de vermelho recomeçava.


"Esse foi o nosso primeiro projeto, quando a WF nem era uma página mesmo" comentou Carolina.


A votação do MAMA terminou e os meninos infelizmente não venceram naquele ano, mas para a equipe foi muito divertido se juntar e ajudá-los, então o grupo de dezoito pessoas decidiu continuar com o projeto para nas próximas votações ajudarem ainda mais o BTS e os ARMYs.


"Foi aí que, no meio disso tudo, a gente criou a We Fight. Dei esse nome pra página, porque a música Not today foi a primeira que eu escutei dos meninos, foi uma música que me ajudou muito em alguns momentos e quando a gente tava perdendo no MAMA, e o boicote que a gente sofreu, eu sempre lembrava da música, quando o Namjoon fala que haverá um dia em que nós vamos perder, mas não será hoje, hoje nós lutamos, e eu levo isso comigo até agora, e foi assim que a WF nasceu, foi muito sem querer."


Após ganhar o formato de fanbase, a equipe enfrentou o desafio de se estruturar não só internamente, mas também na parte externa, com um fandom que não tinha costume de votar e fazer stream de forma direcionada, mas que já possuía um grande potencial de forma individual.


"No começo a gente não tinha ideia do que estava fazendo, naquela época não existia contas especializadas em votação e stream. Na verdade, bem nessa mesma época que a gente, nasceu o btschartdata e o BTSvotingorg, que hoje é nossa parceira, então o fandom estava se estruturando em fanbases focadas nisso, porque todo mundo meio que fazia tudo sozinho. No começo não vimos necessidade de ter foco nisso porque ainda não sabíamos o que estávamos fazendo, era tudo muito novo pra nós também, eu era baby ARMY, eu estava aprendendo as coisas junto com todo mundo e demorou alguns meses pra eu entender o que a gente queria fazer e como se posicionar."


Conversando com outra ADM, descobrimos que "a WF é um Digimon ambulante, ela já passou por diversas manutenções."


Isabella, atualmente ADM dos charts, passou por muitas funções durante a estruturação da fanbase: "No início, quando eu entrei, ela era uma página de entretenimento que também falava sobre votação. (...) A equipe já tinha uma divisão de tarefas, e eu ficava "na linha de frente" criando conteúdo. Quando fui qualificada, estava na época da votação da rádio Disney, foi a única vez que eu, de certa forma, "trabalhei" na parte de votação. Até thread de teoria e design eu fiz (risos)."


No meio do oceano que eram todas as informações sobre votações, charts, stream em um fandom enorme, Carolina relembra da parceria entre We Fight e BTSvotingorg que foi essencial na formação do que é a fanbase hoje.


"Como viramos parceiras da BTSvotingorg, que é atualmente a maior fanbase de votação dos meninos, crescemos muito com eles. Toda essa estrutura que a WF tem, um pouco mais séria e focada, foi muito da influência deles, e sou muito grata pelos adms da voting porque foi fundamental para nós sermos quem nós somos hoje."


O processo de adaptação não foi fácil nem rápido, mas foi possível pelo objetivo em comum bem estabelecido na na equipe.


"Depois que teve a primeira reforma, ficamos mais sérios. De início eu não gostei muito porque eu meio que fui demitida do meu cargo e colocada em outro lugar que eu não fazia ideia de como funcionava, mas depois eu entendi que mudanças eram necessárias para o crescimento da fanbase, e que isso só iria favorecer os meninos." Conta Isabella.


Hoje, entre altos e baixos, vitórias e derrotas, comemorações e muito choro também a fanbase alcança os 100K de seguidores, isso só em um dos perfis do Twitter, pois a equipe se divide, além da WFVOTING e WFCHARTS no Twitter, em Instagram, Facebook, TikTok email e site. Um feito inimaginável pro grupo que se formou inicialmente apenas para concentrar um gigantesco número de contas para votação do MAMA.


"A gente não esperava chegar, nunca que eu esperaria chegar a 100k seguidores, porque eu lembro que fiquei chocada quando a gente chegou em 2k e demorou a cair a ficha." Conta Carolina. "Não foi uma coisa instantânea, porque não era comum no fandom brasileiro as pessoas terem alguém orientando sobre essas coisas, então foi meio difícil no começo estabelecer algumas dinâmicas. Os "churrascos" no começo eram muito lentos e era muito complicado fazer todo mundo focar no mesmo objetivo, não que as pessoas não votassem ou não fizessem as coisas, elas faziam sozinhas, então tudo foi um processo. Nada do que a WF fez foi instantâneo, fomos de passo em passo, entendendo quem a WF iria ser, como a WF poderia influenciar de uma forma positiva pra ajudar o BTS dentro do fandom b-ARMY e estamos aí, primeira fanbase focada em votações e stream no Brasil, com 28 adms, espalhados por muitas redes sociais e site."


Além de todo sucesso, a fanbase também teve êxito como equipe, que assim como os meninos se consideram uma família, algo essencial para o funcionamento e crescimento do projeto.


"Trabalhar na WF é cansativo, mas ao mesmo tempo é algo extremamente bom. Ver os meninos se saindo bem aqui, ganhando premiações etc dá uma satisfação enorme e deixa tudo menos cansativo. E o fato de termos uma equipe no qual conseguimos nos apoiar alivia muito a carga. Não só pelo fato de dividir o trabalho, mas de podermos nos apoiar uns nos outros." Maria diz.


"Não achei que eu duraria muito, mas eu fico feliz que tenha durado." Isabella compartilha. "Já vi muitas ADMs entrando e saindo, e tenho certeza que todas elas não esquecerão nunca da WF porque os laços aqui dentro são muito fortes. Eu seria alguém completamente diferente se não tivesse entrado aqui e eu não teria nunca esse sentimento de dever cumprido (eu ainda tô fazendo ele, mas se parássemos nesse exato momento, sei que teríamos feito um bom trabalho). Acho que a WF foi o motivo para eu criar alguma expectativa para um futuro, sabe? Comecei a ter responsabilidade por causa dela, porque antes eu só era uma vagabunda que não fazia nada."


Após o MAMA e a consolidação da equipe como fanbase, a WF realizou muitos projetos agora com o foco nos comeback. Atualmente eles não fazem mais esse trabalho, o que não significa que não tenha rendido frutos além dos resultados musicais. É o que descobrimos com Gabi da equipe de apoio para projetos:


"Eu não sei exatamente em qual data (entrei), mas o formulário de recrutamento para equipe do Bangwarts passou ocasionalmente na minha timeline do Twitter. Eu não fiz a inscrição logo no primeiro momento pois fiquei preocupada em não ter tempo para o cronograma, porém faltando uns 2 dias para o encerramento eu criei coragem. No dia 19 de setembro de 2019 chegou minha carta de admissão no projeto! Era literalmente uma carta toda temática falando que tínhamos passado no recrutamento nesse momento começou meus quase 3 anos na equipe de apoio da WF.


O ponto mais importante de tudo foi os aprendizados, experiências e amizades adquiridas durante os anos. Foi difícil criar o preparo necessário para fazer parte da equipe logo no comecinho, pois era uma equipe grande e ainda não estávamos em sintonia. Entretanto, trabalho em equipe faz o sonho funcionar, esse foi um dos principais ensinamentos que aprendemos com os meninos e ninguém desistiu... Foi difícil e teve momentos que parecia que o peso do mundo estava em nossas costas, visto que o ser humano não é em seu total feito de gentileza, apesar disso SEMPRE levantamentos a cabeça e seguimos pensando que tudo era feito pelo BTS e, colocando eles em primeiro lugar, os problemas acabavam indo embora. As dificuldades deixam a gente forte e os momentos bons trazem felicidade, e no contexto geral eu tenho gratidão, porque ganhei tanto conhecimento, mas principalmente encontrei tantas pessoas boas, tais pessoas que hoje são meus amigos e acrescentam tanto na minha vida. Quando brincamos dizendo 'pela WF eu dou a vida' não é apenas por fazermos parte da equipe, e sim pela gratidão por tudo que ganhamos fazendo parte dela."


Hoje conhecemos um pouquinho mais da trajetória da fanbase We Fight, que não deixa de ser uma parte da trajetória do fandom. Assim como o BTS, nosso fandom se reinventa a cada votação, cada comeback, e nossa força em termos de fanbase é algo quase exclusivo. Força essa que veio de cada ARMY e apenas se concentrou em um só lugar.


Só temos grandes fanbases que fazem grandes feitos porque temos um grande fandom que anda junto por um mesmo objetivo, que são nossos meninos. Por isso, sempre que os tempos difíceis chegarem, lembrem-se do porquê estamos aqui, de qual é o nosso objetivo e que juntos somos a prova de balas.


Na semana passada, a We Fight participou de um talkshow, onde a Carolina conversou um pouquinho sobre a WeFight e foi uma conversa bem legal!



Escrito por: Dinny e Polyana

Revisado por: Beatriz


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